quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Polícia no DF

Outro dia fiquei pasma assistindo uma matéria na TV sobre a truculência da polícia no DF. Esperei uns dias pra me recompor e mesmo assim este espaço certamente não será suficiente para comentar, afinal, há situações que devem ser conversadas, pessoalmente, e para isso, as tecnologias não dão conta. Mas vamos deixar as tecnologias para outro dia.

A polícia do DF é a mais bem paga do país e isso torna o quadro ainda mais assustador. Muitas pessoas inteligentes e outras nem tanto, alegam que os baixos salários da polícia aqui no Rio e em outros lugares contribui para o que vivemos hoje: uma polícia corruptível, violenta, despreparada. Sim. Acredito que contribua, mas tenhamos cuidado com essas afirmações vazias e superficiais.

Esta matéria ilustra bem que o buraco é mais embaixo. Como a polícia mais bem paga pode ser a mais truculenta? Isso não iria contra os argumentos que estamos exaustos de ouvir e repetir? Será que é o contrário? Acho que isso nos ajuda a ver o que há de político nisso tudo. A força policial, bem sabemos, não está aqui para servir à comunidade e ajudar velhinhas indefesas. Sua função social é de manter a ordem. Ordem e progresso! Diz a bandeira. Choque de ordem! Diz o prefeito.
Mais do que regular costumes sociais, a polícia, o discurso da impunidade e os palanques sobre a questão da segurança pública, pretendem exercer um controle social sobre os costumes, e não só sobre eles. E não deve ser à toa que o fazem muito bem no DF, ainda mais em Brasília.
Vi cenas da polícia reprimindo - sim, a palavra é essa - reprimindo manifestações estudantis em Brasília com uso de violência. Eu digo de novo: violência é o nome e não truculência. Parece que a TV quer ser gentil com a polícia ou também tem medo de levar porrada, e diz que são truculentos. Se fossem "bandidos", "marginais", como diz a polícia, certamente os nomeariam como violentos. Mas a polícia quando pratica algum crime (enquanto instutuição, de farda e tudo. não estou falando de casos isolados praticados por policiais), não é considerada marginal.

Voltando ao controle social, a repressao sofrida por esses estudantes é antes de tudo política. É um cala a boca. Parece que voltamos ao golpe militar. ou melhor, não parece, porque hoje as pessoas praticamente não fazem manifestações e o que reivindicam não é tanto quanto antigamente...pode ser só um reitor corrupto ou algum figurão do planalto central. As lutas são outras mas a porrada continua e hoje é mais efetiva porque cala as bocas e cessa os pensamentos. Então, seguimos como marionetes nas paisagens urbanas, tendo medo dos meninos pobres, acreditamos que a ameaça vem dali. Pedimos policiamento nas ruas, prisão, segurança pública. Acreditamos que a punição é o melhor remédio. Execramos os que erram, somos inflexiveis e como os cavalos permitimos que nos botem ferraduras para dançarmos conforme a música e antolhos para não vermos o que querem esconder.
Ainda bem que ainda não acreditamos nessa lógica da punição dentro de casa ne? Ou vamos deixar de educar, amar, assistir, respaldar e acolher nossos filhos quando erram e tratá-los com práticas punitivas? Cinto? Chinelo?
É importante a gente falar sobre isso e pensar sobre isso....Choque de ordem? Câmeras de monitoramento nas ruas? Será essa a solução para o mal estar que vivemos nos dias de hoje??

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