sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Joga pedra na Geni

Mais de um mês se passou e eu protelei o que pude para divulgar o blog e começar de fato a escrever. Acredito que isso se deva ao fato de uma espécie de preguiça mesmo. Muitas coisas interessantes acontecendo sobre as quais eu gostaria de escrever, mas coisas polêmicas ou absurdas. Acontecimentos que mobilizam a gente....é mais difícil falar sobre eles...
Após essa breve confissão, penso que o assunto mais em voga para mim nos últimos dias, diz respeito à aluna expulsa da faculdade devido ao vestido "curto" que usou no primeiro dia de aula. Após ser execrada pela comunidade acadêmica por suas preferências pessoais para vestir, ela acabou sendo expulsa.
Esse acontecimento, ao meu ver, não difere muito da tal professora, que semanas atrás perdeu o emprego por dançar sensualmente, para alguns e vulgarmente para outros, num baile funk.
Os dois casos me chamaram muita atenção, principalmente no que se refere à opinião pública quanto às moças em questão.
Muitos amigos meus, inclusive pessoas sensatas ao meu ver, acharam perfeitamente justificável a condenação pública dessas mulheres, o que me deixa sinceramente preocupada...eu diria, perturbada.
Em primeiro lugar, é certamente uma hipocrisia, que no Brasil uma mulher seja condenada pelo livre (nem tão livre assim) exercício de sua sexualidade. Ora, não é essa mesma sociedade do culto ao corpo, dos corpos sarados, malhados, exibidos nos dias de calor, nas academias e praias litorâneas? Não são essas mesmas as pessoas que diariamente fuçam a internet em busca de flagras das calcinhas de fora entre as famosas descuidadas, entre as "gostosas" de plantão? Porque se deseja ver a calcinha ou o corpo nu da ex BBB Priscila ou da Nana Gouvea, mas uma pessoa comum não pode dançar no baile funk mostrando sua calcinha?
Me parece no mínimo contraditório. E os argumentos, mais furados, impossivel! A argumentação de que a moça é professora de criancinhas então! Como se todas as professoras do mundo não tivessem sexualidade e não a exercessem à sua própria maneira em seu tempo livre!
Ainda bem que não podemos entrar no quarto das professoras de nossos filhos, ou certamente veríamos coisas terríveis! Essas coisas que nós mesmos fazemos em nossas camas e em outras camas vida a fora....
A estudante então, nem se fala! Agora vamos começar a colocar a culpa nas saias! Se usa saia curta, é piranha! Ai ai ai....tantas mulheres que poderiam perfeitamente se encaixar, até mais adequadamente, no esteriótipo de piranha por aí, e nem usam saia! Penso por exemplo em muitas mulheres de classe alta que fazem testes de sofá, tem caso com superiores e tudo mais, visando uma promoção no trabalho...Agora, sejamos cuidadosos, senão vamos voltar para trás e justificar casos de estupro e abuso sexual por aquela colocação que já esteve na moda: "Mas ela estava de saia curta!". Assim, a vítima é culpabilizada pelo que aconteceu.... E francamente! Quem nunca usou uma saia curta que atire pedra na Geni! Quem nunca "pegou" uma menina de saia curta que faça esse julgamento, quem não ouviu funk com todos os seus "senta senta" que se pronuncie!
Uma sociedade que, ao mesmo tempo, diz promover uma liberação, um acesso fácil ao gozo, ao prazer, mas também exerce um controle social enorme sobre nós dizendo como devemos nos vestir, como deve ser nosso corpo...e ainda acham que a culpa é da coitada da menina, que vive nesta sociedade, feita por todos nós, e não em Marte...
Daqui um tempo na faculdade não poderá entrar cabelo vermelho, roupa de bolinha, e qualquer bola da vez que a sociedade resolva execrar. Em breve, estaremos matriculando as crianças apenas em escolas de freira, para ter certeza que as professoras não sejam mal exemplo, não exerçam sua sexualidade de modo algum. E nós? Seremos mal exemplo? Desistiremos de nossa vida sexual? Ou fingiremos que não fazemos essas coisas?
Há muito mais o que dizer do assunto, mas vou ficar por aqui hoje.
Abraços.